Ter
um cão de guarda pode representar mais segurança para quem mora em uma casa.
Residências com cachorros sofrem menos tentativas
de assalto do que aquelas que não os possuem. No entanto, ter um cão de guarda
requer conhecimento. A falta de informação ou inexperiência dos proprietários
ocasiona a criação inadequada dos cães que, ao invés de guardar o dono,
tornam-se um perigo para as pessoas que convivem com eles e para a comunidade.
A escolha da raça
Infelizmente, muitas raças de cães de guarda foram perdendo suas
características originais, em razão de cruzamentos errados e não controlados.
Por esse motivo, encontramos cães excessivamente bravos e, o que é bastante
comum, cães medrosos que não se prestam à finalidade de guarda. Assim, para
escolher o cão ideal, é importante conhecer um pouco do padrão da raça e
buscar um canil idôneo que selecione animais de temperamento bem definido para
os acasalamentos.
As
raças comumente usadas para guarda são:pitbull,pastor alemão ou belga,
doberman, rottweiler, fila brasileiro, mastim napolitano, mastiff, dogue
brasileiro,cane corso entre outros.
Há
raças que não possuem instinto de guarda, no entanto, podem assustar pelo
tamanho (ex.: dogue alemão e são bernardo), aparência (ex.: boxer e husky
siberiano) e até pela valentia e temperamento de alarme (fox paulistinha e
muitos vira-latas). Não se pode esperar desses cães o comportamento de um cão
de guarda, mas se o interessado desejar apenas um "efeito moral",
podem ser uma opção bem interessante. Certamente, um pouco arriscada para
assegurar a guarda da residência, mas uma saída para algumas situações, como
medo de criar cães bravios, crianças muito pequenas em casa etc.
Outro
aspecto importante é conhecer eventuais problemas genéticos que possam afetar a
raça. Os rottweilers e pastores alemães, por exemplo, podem ser acometidos
de displasia coxofemural. Daí ser importante
exigir do criador exames negativos dos pais do filhote para essa doença.
As raças
de pelagem curta e pouco espessa não se adaptam bem em locais com invernos
rigorosos. O doberman é um exemplo disso. Cães de pelagem longa, por outro
lado, necessitam de cuidados, como escovação diária.
O local
Apartamentos não são locais ideais para se criar cães de grande porte,
principalmente os de guarda. Parece óbvio, mas alguns cometem esse erro. O cão
preserva o seu território e vai considerar as áreas comuns do edifício como
tal. Assim, compartilhar os elevadores com outros moradores e funcionários será
um problema, pois o cão poderá atacar. Isso sem falar na falta de espaço que
estressará o cão e o tornará facilmente irritável.
Quem
dispõe de uma casa com uma área pequena para manter o animal deve pensar duas
vezes. Os cães precisam de espaço e exercício. Também é um erro construir um
canil e deixar o cão preso o dia todo. Para ter um cão de guarda, é preciso
espaço suficiente para que ele possa se exercitar e tempo para levá-lo
para passear.
A criação
Morder
é uma atitude natural de todo filhote, na maioria das vezes para brincar. O
cachorro de guarda, especialmente, deve ser desestimulado a fazer isso. Esse
hábito se tornará um problema quando o cão for maior, por motivos óbvios.
Quando o filhote começar a morder, diga 'NÃO' bem firme e, caso ele insista,
diga 'NÃO' novamente, segurando-o pela pele atrás do pescoço, e deixe-o preso
por alguns minutos. Não provoque o cachorro com panos, não o irrite para que
ele morda. Ensine-o comandos básicos, pois obediência é a característica mais
importante e desejável quando se possui um cão. Há vários livros que
mostram como ensinar comandos ao filhote.
O cão
JAMAIS pode rosnar para o dono. Isso significa que ele quer"mandar no
pedaço". Em se tratando de uma raça de guarda, é possível imaginar o
desastre que será se o cão achar que pode fazer o que quer. Na primeira
rosnada, segure o focinho do cão ou contenha-o pela pele atrás do pescoço e
diga NÃO! Essa é uma palavra que ele deve entender desde o primeiro dia que
chegar em sua casa.
Manipule o cãozinho frequentemente, mexa nas orelhas, abra sua boca, segure
suas patas e olhe entre os dedos, pegue sua vasilha de comida e escove seus
pelos. Com isso, ele se acostumará com essas práticas e não estranhará quando
for adulto.
O adestramento
Ele
começa desde o primeiro dia, com a ajuda de bons livros de adestramento.
Para aqueles que não são tão experientes, é possível
contratar adestradores profissionais, quando o filhote tiver 6 meses. Mas
nesse caso, a responsabilidade do dono na educação do cão não pode ser
inteiramente passada para o treinador. O adestrador deve ensinar o cão a
atender comandos e o dono a comandar. Somente um trabalho conjunto dará
resultado. Ou então, o cão obedecerá apenas ao adestrador e todo o investimento
será em vão.
Cães de
guarda, a menos que sejam utilizados em empresas de segurança, pela polícia
militar ou pessoas experientes, não devem receber outro adestramento além da
obediência básica. Treinar o cão para o ataque (chamado por alguns treinadores
de 'treinamento de defesa') é como entregar uma arma carregada a uma criança.
Pessoas que não têm experiência com cães de guarda, não conseguirão controlar
seus cães, caso eles ataquem.
Quanto
à questão da morte de cães de guarda, provocada pela ingestão de venenos
jogados por assaltantes, existe adestramento para isso, porém, apenas alguns
cachorros conseguem resistir a um pedaço de carne lançado.
Socialização
Infelizmente, ainda existem pessoas que pensam que o bom cão de guarda é aquele
que morde e ataca tudo que vê. E para conseguir um cão assim, prendem o animal
em correntes ou canis, sem contato com pessoas de fora, pois assim 'ele fica
bravo'. Animais criados dessa forma são aqueles que, quando escapam, atacam e
matam pessoas nas ruas ou causam mutilações nas vítimas. Os acidentes falam por
si só. É o resultado de cães não socializados, descontrolados e/ou estimulados
a atacar.
O cão
de guarda foi selecionado geneticamente para guardar seu território e seu dono,
por isso, não é preciso "deixá-lo bravo" com o isolamento.
Naturalmente, o instinto de guarda aparecerá com 1 ou 2 anos de idade. É
preciso passear com o cão e submetê-lo a vários estímulos externos (sons,
pessoas que ele não conhece, bicicletas e carros passando etc.) para que ele
saiba discernir quando deve atacar, ou seja, reconhecer uma situação estranha a
seu dia a dia. Uma pessoa pulando o muro, um estranho entrando na casa, uma
atitude de violência contra o dono, são motivos para um ataque e não uma
situação corriqueira.
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